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segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Mas tem dias em que ele me abraça um abraço empalhado.

Um espantalho que abriu os braços apenas para espantar os corvos.

Rita Apoena

Bilhetes


domingo, 7 de agosto de 2016



Quando o vazio é muito grande, 
as lágrimas são transparentes.
Rita Apoena


Em islandês, karamellu é uma espécie de cola elástica que deve ser mastigada e ingerida em grandes quantidades (de preferência, sem o papel de bala) até remendar – completamente – um coração partido.

Rita Apoena

Mas se eu ficar triste, só triste, eu serei mais uma a aumentar as tristezas no mundo. E a tristeza só consegue nos deixar fracos e inertes. O que o mundo precisa é de um exército de gente feliz, capaz de doar um pouco de si e do que sabe, capaz de fazer a diferença na vida de algumas pessoas. Meus braços não são do tamanho do mundo, mas foram feitos no tamanho exato de abraçar alguém.

Rita Apoena

sábado, 2 de julho de 2016

Anúncio para solitários

Procura-se um amigo sozinho
de andar discreto e gesto silencioso.
Procura-se desesperadamente um amigo
que saiba se aproximar
de um passarinho.

Sobre a paixão


Eu poderia escrever uma carta e rabiscar um coração, mas há vento demais num á de suspiro. Então, guardo o suspiro na boca, preso por dentes e, quando não mais agüento, assopro bolinhas de sabão.

Sugestões para presente:



Amor. Bolinhas de sabão. 
O som de copos com água. 
O som das gotas no chão. 
Um sorriso tímido. 
A música por trás dos ruídos. 
Um coração encostado no outro. 
Um ou dois para sempres. 
Um avião nas mãos de um menino. 
Um barquinho de papel. 
Uma pipa atravessando as nuvens. 
Uma sementeira de tulipas. 
Um mingauzinho de aveia. 
Um par de meias listradas. 
Dois ou três cata-ventos. 
Uma palavra inventada

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Alguns escrevem pela arte,
pela linguagem,
pela literatura.
Esses, sim, são os bons.
Eu só escrevo para fazer afagos.
E porque eu tinha de encontrar um jeito
de alongar os braços.
E estreitar distâncias.
E encontrar os pássaros:
há muitas distâncias em mim
(e uma enorme timidez).
Uns escrevem grandes obras.
Eu só escrevo bilhetes para escondê-los,
com todo cuidado,
embaixo das portas.